Regularização de conteúdo de mídia: a volta da censura?

Neste mês que passou (outubro) além das eleições um outro tema muito importante passou a ser discutido.

Franklin Martins, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, deu uma entrevista onde falou da criação de uma agência fiscalizadora de conteúdo, negando que isso acarretaria em cerceamento à liberdade de imprensa.

Uma das falas do ministro foi:

Fala-se (a imprensa) o que quer, publica-se o que quer. O que não se quer não se publica, o que quer se esconder, esconde-se. A imprensa é livre. Não quer dizer que é boa. A liberdade de imprensa só garante que a imprensa é livre. A imprensa é boa dependendo dos jornalistas, dos grupos de comunicação e da sociedade, que é uma crítica severa quando percebe que a imprensa está ficando ruim. Não tem briga com o governo e a imprensa: a imprensa publica o que quer, mas se eu achar que uma coisa publicada não está correta, tenho o direito de dizer. Ou a imprensa está acima da crítica? O Papa não está acima da crítica. Deus que é Deus não está acima de crítica. A imprensa não está acostumada com a crítica, este é o problema.

Bem, aqui há material para muitas discussões.

E inicio com dois apontamentos: a importância de jornalistas formados trabalhando nos meios de comunicação e a urgente criação de um Conselho Federal de Jornalistas. Estes, na minha humilde opinião, são os dois primeiros passos para uma mídia séria e responsável. Mas isto, por si só, não garante qualidade.

E daí nos vemos diante da regularização do conteúdo de mídia. Como existir um organismo, digamos assim, que possa efetivar diretrizes sem que seja taxado de censor?

Daí nos esbarramos em outros pontos. Vamos debater o assunto? Qual sua opinião?

8 Comentários to “Regularização de conteúdo de mídia: a volta da censura?”

  1. Gilberto, eu tenho uma opinião que é a seguinte: liberdade se conquista e se constrói com responsabilidade.
    A imprensa tem um papel preponderante na manutenção da democracia. E deve valorizar isso. Lutei contra o regime militar para examente termos essa liberdade, a de imprensa, a de expressão.
    Porém, algumas entidades de mídia usam isso, essa liberdade, para defender interesses obscuros e mesquinhos. Essa gente não tem responsabilidade, essa gente quer dar um golpe, a favor de determinados grupos.
    Eu acompanhei um dossiê elaborado pelo Luis Nassif, sobre o que a revista Veja andou aprontando. É de chorar. De raiva. Do que um grupo de mídia é capaz de fazer para defender seus próprios interesses e não o das demandas sociais.
    Creio que é nesse ponto que o Franklin quer bater, o de responsabilizar quem se expressa. Quer dizer o que quer e dar opinião sobre o que bem entender? Pois tenha responsabilidades e assuma as críticas que vierem contrárias, inclusive com direito de resposta, que a imprensa se nega a dar.
    Há quem confunda liberdade de expressão com liberdade de espinafração. E tem que ao invés de informar, faz fofocas.
    Abraços.

    • É isso mesmo, Alexandre. Por isso o Conselho de Classe, dos jornalistas é fundamental. Pois além de unir a classe, de certo modo, tão desunida, acarretará responsabilidades e penalidades para o mau jornalista.

      • Olha, até concordo com a criação de um conselho. O meu único receio é que estamos no Brasil, e com certeza isso seria usado para fins, digamos, pessoais.

        O que alguns meios de comunicação fazem para obter benefício próprio seria revertido para as pessoas que estão no governo.

        Não acredito que adiantaria. Notícias que poderiam ser publicadas como denúncias não seriam, e a população estaria toda alienada em relação ao que acontece no poder, assim como ocorreu durante o governo militar.

        PS: Gilberto, descobri esse seu blog agora, e queria saber se você já falou sobre a tal “Lei Azeredo” ou AI, como alguns mais radicais dizem.

        Abraço!

      • Gabriel, não falei sobre esta lei. Vou dar uma analisada. Mas se quiseres questionar algo sobre ela, fique à vontade, podemos a partir daí gerar um debate😉

  2. É um tema complexo e que requer reflexão não somente por parte de nós, profissionais de imprensa, como o público em geral. O problema é que quando a imprensa é criticada, muitos veículos confundem isso com cerceamento da liberdade de expressão. Não estou dizendo com isso que sou favorável à criação de um órgão regulador, tampouco que seja por parte do governo. De qualquer modo, independente da entidade responsável pela criação do órgão, é necessário que não haja, de forma nenhuma, qualquer tipo de censura, mas sim a discussão sobre alguns abusos por vezes praticados pela imprensa e mídias em geral, como o sensacionalismo, a transmissão de imagens fortes em horário impróprio, entre outros fatores.
    Creio que essa discussão é pertinente para toda a sociedade. Mas não deve ser guiada do modo como muitos veículos estão guiando, como se fosse algo que irá ferir a liberdade de expressão da imprensa e das mídias em geral.
    Beijos🙂

  3. Olá! Mais uma polêmica, rsrs
    Acredito que criar qualquer tipo de órgão regulador de conteúdo é, invariavelmente, uma maneira de censurar e diminuir a dita “liberdade de expressão”. Ora, infelizmente, a maioria dos veículos de comunicação não são públicos o que abre espaço para os donos dos mesmos dizerem aquilo que acreditam ser “importante” mesmo que não seja interessante para todos, isso é ser livre para se expressar, não é?
    Penso que esse é apenas mais um setor que não funciona corretamente no Brasil, só mais um entre vários! É fruto da falta de cidadania, do descompromisso com o bem do próximo, tão evidente na nossa sociedade. Acontece em todo canto!
    Acredito que a maneira mais eficiente seria, como o Gilberto já citou, criar um conselho, regulamentar a profissão de jornalista e, ainda, criar uma lei garantindo que somente jornalistas com formação acadêmica possam publicar matérias em veículos de comunicação regulamentados. Existem outros meios por aí para quem não é profissional falar o que quiser. Jornalismo é coisa séria e não deve dar espaço para quem não é profissional e responsável. Essa medida já ajudaria muito.
    Até a próxima!

  4. Caro Gilberto mais uma vez essa sombra disfarçada de regulamentação legal aparentemente com o objetivo de coibir “abusos” por parte da mídia considerada por alguns o quarto poder tem tão somente a finalidade não proteger instituições e homens de bem de possíveis ataques da mídia mas vetar que veículos de comunicação livres possam dizer ao povo as verdades que nunca são ditas e geralmente são bem protegidas nos palácios e instituições que originalmente foram criadas para proteção dos interesses do povo mas que apenas visam seus próprios interesses . Mídia livre é um claro sinal de democracia . Não queremos ser uma Venezuela ,abaixo o controle da mídia já !

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